Energisa tenta atrasar trabalhos da CPI na Justiça; presidente anuncia que vai recorrer

Publicado em: 12/05/2020 - 9:09

A Energisa conseguiu liminar no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) que suspende a perícia de 200 medidores de consumo que será realizada no Departamento de Engenharia da USP de São Carlos. O deputado estadual Felipe Orro (PSDB), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a concessionária na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, informou que vai recorrer da decisão.

Felipe Orro destaca que o “fato de a concessionária impetrar mandado de segurança para suspender a perícia desses relógios trata-se de clara tentativa de barrar e atrasar os trabalhos da CPI da Energisa na Assembleia Legislativa”, explica Felipe Orro.

O presidente da CPI da Energisa acrescenta que “até o momento já coletamos depoimentos de diversos contribuintes que contrataram serviços de medição paralela, e esses pareceres técnicos atestaram para registro de consumo maior que o real. Isso nos incentivou para que contratássemos o serviço de perícia a ser realizado na USP de São Carlos. Trata-se de laboratório de última geração, referência em todo o país, mas a concessionária questiona a credibilidade do mesmo e tenta atrasar nossos trabalhos por meios judiciais. Iremos recorrer nesta terça-feira (12) para comprovar a acreditação do laboratório e dar andamento aos trabalhos”, pontua Felipe Orro.

A primeira testemunha ouvida pela CPI da Energisa foi um produtor rural de Miranda que contratou serviço de medição paralela que constatou registro de consumo maior que o real. Este parecer inclusive fundamentou o fato determinado que culminou na instauração da CPI da Energisa na Assembleia Legislativa, em novembro de 2019. No dia 12 de fevereiro, o responsável técnico pelo parecer prestou depoimento afirmando que o relógio da concessionária instalado na zona rural de Miranda chegava a registrar até 30% a mais do que o consumo real.

No dia 10 de março, a CPI coletou o depoimento de médico da Capital que também contratou serviço de medição paralela em seu consultório, situado na região central de Campo Grande. Essa testemunha relatou que seu consumo mensal saltou de 150 quilowatts para 1,1 mil quilowatts no intervalo de quatro meses. O técnico em eletricidade responsável pelo parecer contratado pelo médico cita que foi utilizado um analisador de consumo para comparar os índices registrados pelo relógio da Energisa. Segundo o técnico, em uma semana, o analisador indicou um consumo real de 22 quilowatts hora, enquanto o relógio da Energisa registrou consumo de 154 quilowatts hora.

No dia 12 de março a CPI da Energisa enviou o Ofício 033/2020, notificando a concessionária para que “abstenha-se de entrar em contato com as entidades envolvidas na realização dos trabalhos de perícia” dos medidores. A notificação foi feita depois que um técnico designado pela Energisa para acompanhar os trabalhos da CPI tentou, reiteradas vezes, fazer contato com os professores da Universidade de São Carlos, apresentando-se como representante da Comissão. “Essa tentativa de contato é inaceitável, demonstra um total desrespeito tanto à CPI quanto à Universidade, que fará um trabalho isento e não aceita interferência de nenhuma parte”, asseverou o deputado Felipe Orro na época.

Recentemente a CPI da Energisa recebeu laudo do Inmetro que reprovou o relógio medidor de consumidor do município de Nova Alvorada do Sul. A aferição constatou que o aparelho estava registrando até 30% a mais que o consumo real de energia. “Esta foi a última denúncia que recebemos e vamos apurá-la”, explica Orro.

Por conta da pandemia do Covid-19, o Ato 11/2020 da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa suspendeu os trabalhos da CPI da Energisa até o dia 25 de maio. Até o momento foram recolhidos 97 relógios medidores de consumo que serão periciados na USP São Carlos. “Após a retomada dos trabalhos e a resposta judicial do nosso recurso para essa liminar concedida à concessionária, vamos precisar reorganizar o cronograma de retirada dos demais relógios”, explica Felipe Orro.

O parlamentar acrescenta que os trabalhos da comissão precisam do apoio popular para ter andamento e respaldo da sociedade. “Estamos lutando contra uma empresa poderosa e precisamos do apoio da população, pois a CPI é o instrumento mais eficaz que temos para batalhar por um preço justo da energia elétrica que consumimos. Só queremos saber a verdade! Porque a Energisa está tão preocupada com os nossos trabalhos? Alguma coisa tem”, finaliza Orro.

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